Sexta-feira, Janeiro 23, 2009

Dia de chuva

Lá fora a chuva parece cair
Entre as gotas de agua,
Dois pássaros cantam..

-O Sr. lá atrás pode-se sentar.. -

Uma voz grave, rouca..
Apertando a garganta para ilustrar
Um pouco de sentido de superioridade nela,
Com uma tontura sinto os meus pés aterrarem na sala de novo..
Embarga-me de novo para a sala,
por detrás do estrado,
uma silhueta negra emerge displicente e algo cruel,
olha de cima as pessoas,
deseja secretamente ter todos seus subordinados e
crê este ser, que todos se devem ajoelhar a seus pés..

Pelo menos nesta sala!

Vejo esse brilho nos olhos sem alma..
Sem esse manto negro de sombras,
Seria(s) tu/você subordinado(a),
simples lacaio como eu.

Dou por mim temendo sem forças,
tal figura medonha..
de sorriso orgulhosamente cínico
e
sonhador imagina filas de vassalos a dar honras..

Dirige-se agora a mim esta figura impar,
imperadora no seu estrado,
nem nobreza ou clero a rodeiam,
apenas chamas negras de desprezo.
Repudia-me,
mas nao tremo,
pergunta a pergunta me aproximo do desfecho..
Tal figura negra
e
cheia de soberania não vai permitir deslizes,
muito menos a um simples mortal..
Não, não vai..
Nem pode.
Falta-me o manto negro,
tenho a roupa muito viva,
não sou mórbido nem imponente..
tenho cores de alegria e vida em mim,
não subo ao estrado para me mostrar,
não quero armar-me de sombras negras..
Não quero ser temido e ignorado..
Sou um cavaleiro do povo sem voz.
Apenas mais um!
Tal figura soberana naquela sala escura é ordem,
Dentro dessa sala respira aquele ar negro,
nota-se que não se adapta a vida lá fora, junto ao povo,
onde o ar é puro e alegre..
Aí perece, não aguenta,
grita de dor com a agonia da felicidade.
Fora desse estrado não é nada… Nada!
O desfecho é apenas um culminar,
de um caminho de orgulho e negros pavões..
desfecho já dado muito antes de o dia escurecer assim tanto..
ate mesmo antes de ele nascer.

-sim Sra. juíza, aceito tal pena, dou como verdadeiras todas as acusações..-

digo com ar entediado e repudiando a revolta.
Lá fora a chuva continua a cair Entre as gotas de agua,

Dois pássaros morrem..

Sessão encerrada!!
Carrascos à rua..

Sábado, Fevereiro 23, 2008

Velho Lobo do Mar

Marinheiro ao porto...
A noite à rua saiu,
no cais embriagado
um vulto decrépito caiu..

Parece que foi ontem,
louco por me aventurar,
era então eu jovem..
Quando quis conhecer o mar..

Lembro-me que este velho trapo,
era outrora uma figura ímpar..
Comandante destemido..
E plena voz de requinte
era Cantador de histórias
e odes a uma Senhora.

Milhas pelo mar adentro..
dias sem brisa do vento..
Eu e esse domador do mar..

Cantou-me esta história uma vez,
enquanto contava-mos as ondas do mar..

"
Não tenho casa nem família,
cresci orfão de afecto,
descobri por mim a alegria
afogada num triste mar preto.

Fugi do meu orfanato,
passei fome, roubei e mendiguei..
nunca desisti,
apesar das muitas cicatrizes que sarei..

Quis crescer,
quis viver,
procurei alguém para amar,
acabei por me magoar

vivi mil e uma histórias..
Amor? Ai quem me dera saber..
frustrações inglórias,
de quem só sabia sofrer..

Fiz-me marinheiro conquistador,
queria correr o mundo inteiro,
conhecer novos horizontes,
sair daquele sitio para mim cheio de dor.

Nunca ansiei uma viagem de regresso,
por ninguém me esperar de volta,
após correr o mundo só trazia uma lágrima solta,
pois voltava para abraçar uma família vazia.

Queria alguém..
ainda hoje o quero..
mas talvez não haja quem,
queira um homem a quem vida,
moldou a ferros!

Costumava ter um nome,
charmoso e muito popular,
hoje sou apenas conhecido,
como velho lobo do mar..

Nunca conheci o amor,
conheci algumas senhoras,
portos de abrigo e ilusão,
agarradas a cada tostão.

Já não sei andar em terra,
o meu chão é o mar,
em terra sou um zé ninguém..
no meu barco sou domador do mar,

Sabia bem onde era a minha terra,
acho que ainda hoje o sei..
gostava de um dia la voltar,
Quando ela de mim se orgulhar..

Nas minhas viagens,
Muito eu vivi..
Mas aprendi uma coisa..
Se vais ao mar,
se visitas a minha Senhora...

Leva-lhe presentes ou flores,
trata bem a água,
trata-a tão bem,
como tratarias o amor da tua vida,
pois também a ela,
a Esta Senhora,
tens de lhe cativar os humores,

muitos marinheiros já vi,
homens feitos cheios de vigor,
que dela, do mar troçaram..

Ofendida,
qual Calipso enfurecida,
os encheu de terror,

homens feitos agora gritavam,
outros choravam baba e ranho,
até pela mãe chamaram..

Mas, a Senhora de mau humor..
de raiva desperta,
não sabe o que é clemência,
sem dó nem piedade,
roubou-lhes a vida!

Outrora homens feitos cheios de vigor,
hoje jazem em silêncio,
no leito que tanto desprezaram...

Sinto até inveja deles..
pois dormem infinitamente,
aos pés da minha Bela Dama. "

Velho Lobo do Mar
em terra não tens maré,
não tens âncora..
Aqui não é o teu lugar..

Velho Lobo do Mar...
Volta à agua..
Beija a tua Senhora,
pois só vives para A amar..

Sábado, Novembro 17, 2007

A Maldição das palavras

Ponho as minhas forças nas palavras que escrevo,
ponho a minha resistência em cada acento ou virgula,
Sem estas palavras provavelmente não teria tanto sentido a minha vida...
Sem estas palavras eu próprio não teria sentido..
Por estas palavras vivo eu a minha vida,
ou, talvez a de alguém.. Já não sei bem.
Dei, e dou, tanto de mim nestas palavras intemporais que virei refém delas,
nem sempre sei o que escrevo,
por vezes basta-me um olhar,
por vezes escrevo sobre a vida de alguém,
por vezes enfatizo a minha..
Por vezes sou um herói sem poderes que salvo o mundo..
Navego num mundo livre de hipocrisias em que vivemos nos dias de hoje salvo tudo e todos, sou esse herói.
Faz todo o sentido ser-se insensível à vida lá fora para a descrevermos num quadro de letras negras mas todo floreado de rendas douradas e verdades certas..

Não sei por quem me tomo!!
Não sei porquê.. Sei que estas palavras me aprisionam, e me fazem escrevê-las, sem elas não sei falar.. Muito menos gritar (quando preciso)!!

Palavras mansas e sem poder, fracas para gritar.. acho que as palavras também respiram..


Revolta-me esta maldição que me preenche e completa,
Revolta-me escrever cada letra, sem pudor pelas frases que se amontoam através delas..
(Se ao menos de cada uma pudesse fazer uma arma)
Revolta-me este poder de recriar o meu mundo com as minhas visões e nele poder ser feliz sem reservas..Eu e mais ninguém!
Revolta-me não poder correr nele e dar-te a ti essa liberdade, tu podes correr no meu mundo de palavras ocas e confiantes!
Corre.. mas devagar e em silêncio, não me acordes por tal coisa..

Revolta-me ser irónico e cínico, quando as palavras me pedem carinho!

Filme de uma vida

Choras inconsolável...

Acabas-te de ver o filme todo da tua vida...
Viste-o numa tela rasgada e desfocada..
Diz-me, Custou?

Num filme sem principio e sem conteúdo que se preze, sem fulgor.. e muito de certeza sem direito a sequela!

Conseguis-te ver-te no genérico final?
Entre todas as personagens e afins.. Deste por ti?
Diz-me sinceramente, deste??

Eras a parte do "The End"!!

Quinta-feira, Outubro 25, 2007

Noite Sombria

Altas horas da noite,
hora exacta não sei..

Sei que a noite ainda foge do dia,
a lua hoje não veio
e levou com ela as estrelas..

Nada,

estico o braço para o lado e não encontro luz..
Os meus olhos abertos não vêm nada,
estico outra vez o braço e não sinto o fim da cama..

Nada,

continuo sem achar a luz.
Sentado na cama, procuro a saída da escuridão..

Três batidas na porta fazem-me olhar naquela direcção,
confiando que os meus ouvidos não me traiam,
três sombras pretas na escuridão me despertam a atenção..
não as vejo, mas sinto-as..
não lhe toco, mas gelam-me..
não me mexo, mas aprisionam-me..

mais três batidas e mais três sombras..

O dia sem forças não apanha a noite..
Eu sem forças deixo-me ficar nas sombras.
quero gritar e a minha voz não sai,
quero correr e as minhas pernas não estão lá..
quero ter luz e não sei por onde procurar..
Longa é a noite, longa é a espera,
com o corpo ausente e entorpecido
longos são os minutos no escuro..

Falha-me a noção do tempo,
perdido nas sombras não sei se a noite ainda vai tão alta,
ou porque é que o dia ainda não apanhou a noite,
e a lua foi roubada do céu..
Incertezas e fraquezas,
à noite, rodeado de sombras escuras..
Sem calor, cheio de pavor,
assim estarei eu até ser dia..

Quinta-feira, Agosto 30, 2007

Gaivotas num mar pardo

Lá no alto gritam as gaivotas,
lá no alto sentem o vento entre as asas,
lá no alto desbravam os céus..
Voando livres no labirinto da neblina,
voando sem medo nas águas destemidas,
águas carregadas com lápides de legiões de marinheiros e aventureiros,
muitos, imensos são os que ali repousam,
nos mares se guardam e vagueiam...entre as ondas,
planam as almas..
há quem diga que um dia voltarão.
Há quem diga..

Gaivota sem medo,
Mergulha e plana entre almas a descansar,
mergulha pelo peixe,
mergulha entre o mar lapidar..
olha o mundo de cima..
gaivota solitária,
mil voltas e outras por contar dás tu,
vais onde o vento te levar,
mergulhas no mar sem medo, colhes o teu peixe e logo voltas a voar..
tão brava a enfrentar almas de dedos gélidos que te querem agarrar,
foges tu a abrigar-te em terra quando o vento não te está favorável..
Voas sem rumo.. mergulhas sem receio, mas..
mas por vezes aqui e ali.. uma alma te tenta agarrar..
por vezes aqui e ali.. uma alma te consegue agarrar..

Gaivota num mar pardo, tanto voa..
tanto mergulha., que traz no bico memórias de tempos passados,
mergulha em mares de histórias incontáveis,
mergulha onde muitos entraram e não saíram..

Também tu gaivota.. Também tu,
um dia serás uma pequena alma à deriva nas ondas do mar.

Domingo, Agosto 26, 2007

Populus III - Speratus

Actus postremus

I
Nuvens escuras cobrem o céu e os nossos corações vazios de esperança, amarguras espelham-se nos olhares... Já não sabemos a cor do céu, nem o que é o sol. Esquece-se como sorrir, os gestos sempre iguais, oprimidos... Prisão em si, muros escuros e altos, demasiado altos... tão altos que ultrapassam as estrelas, o ar cada vez mais moribundo, corpos amontoam-se pelas ruas, caminhando vamos tropeçando num ou noutro rezando para que um dia não sejamos nós a ser pisados entre os destroços..

II
Sem coragem ou forças já nem a ninguém rezamos...Temem-se as próprias palavras.
A luz cada vez nos iluminava mais de escuridão alimentando o caos, sem nada o prever uma semente sobrevive, milagre ou ajuda da natureza quando tudo o resto falhou... uma criança é gerada, o seu berço desprovido de luz negra ou contacto exterior, ás escuras só iluminada pelo amor e querer dos seus progenitores orgulhosos esta criança de esperança dá os primeiros suspiros.. longe dos demónios que lá fora habitam e vagueiam, cresce onde os tentáculos da sociedade não chegam, cresce sem valores morais ou imorais, nasceu sem preconceitos e totalmente desprovida de valores ambíguos. Seus pais pagarão com a sua própria vida para que esta criança cresça livre e saudável... Cresce esta semente apenas de conhecimentos cognitivos, com que aprende os primeiros passos no trilho da razão. Uma vivência desforrada da sociedade tenebrosa, fora das suas mandíbulas estimula-se o primeiro sorriso ainda sem noção do seu valor, esta criança, um ser tão pequeno sorri inocentemente, quando muitos maiores e mais fortes não sorriem e lhes falham as forças.. vislumbra-se a esperança que nasce num sorriso inocente de reflexos, ainda não conhece o mundo la fora mas sorri, não preocupa, não importa.. Sorri porque lhe sabe bem a inocência, a simplicidade da vida fora da sociedade..

III
Com o tempo o sorriso não esmorece, pelo contrário cresce, pouco a pouco vai contagiando estes populus incognitus que com as boas novas que se espalharam muito timidamente vêm observar o fenómeno... mais sorrisos crescem agora, ainda muito tímidos é certo, mas cresce uma luz ténue de esperança, começa a crescer a vontade e a força para lutar contra esta sociedade demente.
Um sorriso de criança, só um no meio do caos devastador, doenças e intempéries agudas, luta esse sorriso sem o saber contra tudo e contra todos, dá forças onde outrora não havia..
O povo começa a sair À rua, a revolta apodera-se e cresce o sentimento de viver, forma-se uma liga de justiça e sobrevivência contra esta sociedade paralizada.

IV
Credo, cor, seja o que for não interessa agora, a sociedade está doente e num grito de revolta expressado num sorriso inocente e ingénuo duma criança nasce um arco-íris de esperança.. Novos ventos, novos valores se elevam! Oiçam os tambores que tocam que nem trovões, marchem, todos juntos ergam bandeiras, desfraldem as velas da liberdade! Oiçam-nos opressores!! Todos juntos tocaremos ainda mais alto estes tambores, cantaremos com mais força! O nosso populus incognitus deixará de o ser...
Todos juntos, tambores e corações ao alto faremos ecoar esse sorriso de criança pelas ruas!! Irão ouvir-nos quer queiram quer não.. Marcharemos contra esta esta sociedade, marchemos pela nossa liberdade! Hoje a luta com a certeza que amanha ao acordar sorriremos, será o nosso livre despertar.. e esta noite após a nossa batalha, mais crianças serão geradas, mais alianças forjadas, mais liberdades gritadas.. o céu voltará a ser azul, o sol voltará a brilhar!!
Hoje os tambores,
amanha de novo os amores de cada a cada.

V
Speratus Renascentiae,
Omnia Vincit Amor

Dos sonhos aqui..

Quem me dera que a água não me molhasse,
quem me dera que o céu não fosse já azul..
Quem me dera ter asas mais maiores que o horizonte
e menos pesadas que o ar.
Quem me dera ter a tela para pintar
o meu mundo de cores vivas para mim.
Quem me dera ser o pintor de cada estrela e sol,
se delas pudesse dar mais vida...

Queria dum suspiro fazer um novo dia,
dum piscar de olhos uma nova alegria,
dum simples movimento cobrir o céu de verde
e as árvores de azul.
Queria caminhar no mar e voar sem asas
numa estrada sem princípio...

Divagar...

Perder a roupa que não cobre o meu corpo
por não ser eu um ser próprio para andar coberto.
Quero estar preso numa liberdade sem amarras.

Sexta-feira, Agosto 24, 2007

Vale das Lendas e Almas

Terra de valores ancestrais,
as pedras que contam histórias do tempo e do lugar,
o vento ancião movendo-se em pés de lã
agita as hortas da vida,
hortas cultivadas por mãos calejadas
de quem já viveu o suficiente para contar histórias.

Vale de sombras intemporais,
trilhos de pedra fria amontoam-se,
pedra a pedra..
sente-se o peso e a vida perdida de tempos antigos,
ouve-se os múrmurios das vozes passadas,
ainda ecoam em cada pedra como se lá ficassem para sempre presas,
memórias do tempo
que a pedra guarda com todo o carinho e respeito.

Vale de Histórias..
Entre sopros de memória,
acorda-me algo, traz-me de volta do meu mar de pensamentos...
este silêncio gritante é quebrado por contadores de mil e uma histórias
contadas em voz rouca e antiga profunda de experiência,
a voz que até o vento ouve atentamente,
atrevo-me a observar tal figura
que me leva para tão longe no tempo sem sair do meu lugar,
a cara trilhada pelo tempo,
o corpo queimado do sol e do trabalho,
a pele massacrada pela vida desponta as linhas da memória.

Ali entre a chuva a cair e a lareira a arder contam-se histórias e lendas,
de caminhos e afins, da noite e do dia
da vida e do silêncio são estas histórias que um dia serão gravadas em pedra.. dizem-nos.
Historias de si e de outros,
passadas neste vale de sombras onde cada pedra é uma história e uma alma.

Terça-feira, Março 27, 2007

(a)Parte da Dor: Ensaio sobre a Loucura

Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.

Tropecei em mim mesmo por não querer descolar os pés do chão, sem querer abstraio-me tanto que até de mim me desprendo. Sem filosofia sinto as coisas como elas são… nuas e cruas. Dispo-me de pensamentos e preconceitos abstractos, conheço tudo o que a vista apanha e me passa à frente, desconheço tudo o resto que não me acerca no raio da visão, olfacto ou audição. Guio-me pelo vento, livre que nem um pássaro. Força-me esta falta de pensamentos a viver a vida ao sabor da terra, viver a vida como ela é no seu estado primitivo, sem falsos adjectivos ou verosimilhanças preconceituosas, inferências do ser, do meu ser, sem temores do dia de amanhã. Poderá isto ser considerado loucura ou ausência de dor, pensando não se sente e sem sentir não há dor. Sem dor, não há razão para pensar. E faço a minha vida neste ciclo, neste caminho gasto e que trilho na vida… ando pelos campos, amedronta-me a civilização, assombra-me ver sempre as mesmas caras sem expressão, sem alma. O susto foi tal que tive lá o meu ultimo pensamento:

“Percorremos o abismo do nosso ser, de forma quase sádica e macabra, tempos conturbados estes em que temos que andar pela vida a marchar com o entusiasmo de quem vai para uma guerra que não é a sua, caminhando e desbravando terreno com o entusiasmo de quem sabe que será provavelmente o seu último trilho. Nestes caminhos pendulares e sinuosos de abismos plantados cheios de passos em falso..”


Pensamentos que me aterrorizaram, acercou-se de mim um pânico incontrolável, tudo era esmagador e frio, ganhei fobia à cidade e às suas garras...
Fugi.
Fugi da cidade para nunca mais lá voltar, fugi de mim para nunca mais pensar.
Abstraí-me do contacto com corpos sem alma, isolei-me da tristeza e dor impregnada de loucura da cidade onde a minha alma adoeceu, aqui no campo finalmente tenho uma alma livre e feliz, achei-me de vida outra vez num verde imenso e rodeado de um silêncio gritante, confesso que dou por mim muitas vezes deambulando de alma e corpo separados, dou liberdade à minha alma, tanta que até a armei com as asas duma águia para ir onde bem lhe apetecer…
Apenas lhe peço para estar em casa à hora do jantar.





Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007

Hurt

I hurt myself today
To see if I still feel
I focus on the pain
The only thing that's real
The needle tears a hole
The old familiar sting
Try to kill it all away
But I remember everything

What have I become?
My sweetest friend
Everyone I know
Goes away in the end
You could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt

I wear this crown of shit
Upon my liar's chair
Full of broken thoughts
I cannot repair
Beneath the stains of time
The feelings disappear
You are someone else
I am still right here

What have I become?
My sweetest friend
Everyone I know
Goes away in the end

You could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt
If I could start again
A million miles away
I would keep myself
I would find a way


NIN - Hurt

Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007

Troca de Palavras

A imensidão do olhar
As mãos suadas..o frio no nó dos dedos
O escuro que tudo encobre,
no escuro que os teus olhos iluminam
aceleram-se os pensamentos
por mil e uma frases,
mil e uma imagens..

cruzam-se olhares,
cruzam-se respirações incertas.
cruzam-se corações sem o saber ao certo.
cruzam-se intenções cada vez mais despertas.

O filme que pode ser nosso,
(e eu quero-te como actriz principal)
Um sorriso teu,
um gesto..só um.
Por mais simples que pareça,
Ali no escuro..

trocámos palavras em silêncio,
muitas ao acaso,
outras nem por isso..
Ali no nosso silêncio,
tivemos conversas mudas,
Apenas o corpo falava..
Ao som do desejo.

Segunda-feira, Fevereiro 19, 2007

Populus: Tragicus

Actus Secundus:

I
Mergulho sem alma nas ruas infestadas de uma podridão imunda e impregnadas por um ar que não se consegue respirar, o perigo e o medo de contágio reinam nestes corredores sombrios. Perco-me outra vez em devaneios entre labirintos e ruelas de epidemias terminais,mortais e implacáveis.

II
A dor que supostamente deveria sentir por ver figuras díspares algo semelhantes ao que já foram corpos, acorda-me de volta para este mundo em que o melhor sonho é não ser embrulhado nestes pesadelos da noite! Está noite de lua cheia, vagueando à deriva vejo apenas sombras ou traços do que éramos, sombras já por si vazias numa noite escura e sombria..pelas ruas erram corpos que viveram metade dos dias que aparentam. Carcaças humanas à procura do alimento do seu vício. Erram-se e trocam-se passos,vive-se a decadência que consome a cada luta por uma dose.. Perde-se controlo duma vida,dependo-a e arrastando-a cada vez mais pela miséria de se ser assim.

III
Este cheiro nauseabundo impesta o ar que nos entra pelos olhos,perde-se a visão pelo alegre vendo apenas este mundo de causas perdidas e vidas sem cor! É um filme mudo desprovido de cor,negro insensível e sem legendas este que vivemos, olha para o ecra, diz-me que filme ves..eu digo-te como o vejo...
A imagem é um teatro de marionetas, o cenário um cemitério escuro e tenebroso,com vontade própria o ceifeiro move-se sem olhar onde pisa,apenas colhe a alma que tiver que colher, é este ser a personagem principal e tudo o resto, ou seja eu ou tu somos apenas secundários, a maior parte de nós meros esqueletos que tentam sobreviver, acorrentados por cordas e amarras invisiveis que impelem movimentos certos e sem liberdade. (Suspiro..desvio o olhar e dou por mim a pensar) – “Nem os abutres querem este cenário...”

IV
Acerca-se de mim um muro de ódio e repulsa..É o cheiro que não se consegue disfarçar,é o acumular desta sociedade putrefacta, cada vez mais entre dois mundos..Cada vez mais insensível, ingrata e egoísta, cresce por si e só por si, salve-se quem puder, um sai do caminho, que ele queima. Foge pobre alma que já se nota a tua falta de forças pelas tuas veias já demasiado impregnadas de veneno te amolecerem a carne, foge pobre alma que estás perdida no pior cenário que já vi montado e o ceifeiro não dorme..A foice baixou uma vez mais colhendo dois ou três.

V
corpus morbidus

Sábado, Janeiro 20, 2007

Plenus Affectus

Os braços tornavam-se cada vez mais tensos
todo o corpo ansiava, desejava...
Todo o pequeno pretexto fazia sentido
todo o toque perdido, tudo era desculpa, tudo valia..
mas a chama não se apagava, pelo contrário..
Arde!

Arde cada vez mais forte, cada vez
mais intensa, com mais vontade.
nem a brisa do mar nem os ventos do norte,
acalmam..
Nada!

Nada nem ninguém a não ser tu,
só tu podes tomar esta chama.
Porque só tu a fazes arder..
Tudo em mim é chama que chama,
e Anseia por ti!

magnus incendium
fervi intus!

Terça-feira, Janeiro 09, 2007

Desordem..

Uma estrada sem fim
Um cruzamento sem retorno
Um dor sem bussola
Um adeus sem sentido

O apertar das horas
quando os minutos se perdem
e os segundos valem ouro.

O abismo que percorremos,
O sentimento que nada sente,
imprevisto momento que o tempo acolhe
sem parar, sem abrandar..
Sem olhar para trás.

De tudo, apenas o nada faz sentido..
os traços que são riscos invisíveis..
A dor sangrenta que não vemos..
o grito sem som que soltamos..
os olhos que vêm mesmo sendo cegos.

Desordem!

Sem controlo governamos a nossa vida assim...

Terça-feira, Janeiro 02, 2007

Populus

Actus:


I
Os Corpos inertes amontoavam-se pelas ruas, decompondo-se atropelados por doenças de uma sociedade infestada.


II
O respirar torna-se pesado, enchemos os pulmões de tudo menos de ar, são os problemas dos outros e os nossos, é uma feira da ladra de doenças onde o perigo é rei e a luxúria rainha..
Entre cruzadas sem destino, tropeça-se em corpos desabrigados de conforto, tecto ou acolhimento..Nem um pouco de dó teremos para sequer estender um pouco de nós, só porque não queremos contágio, só porque não queremos ser apenas mais um corpo sem abrigo. Erram-se estradas que antes habitávamos como se fossem nossas, somos errantes por caminhos outrora dourados ou prateados, mas certos e com destino.


III
Pensamentos problemáticos nestas encruzilhadas do ser, perdemo-nos demais entre o corpo e a mente para vivermos a vida como se realmente estivesse-mos mesmo vivos.. Tu ou eu, Eu ou tu,
Errantes da natureza ou a natureza é que errou connosco? Somos réus neste tribunal onde nem sequer nos é atribuído advogado de defesa e onde tudo é juíz.


IV
A verdade é que nada faz sentido, eu não faço sentido e tu também não fazes sentido, mas eu e tu estamos aqui há mesma, com maior ou menor dificuldade vamos sobrevivendo a uma sociedade doente de hábitos forçados e sem fulgor, sem chama ou alma que a aqueça. Vidas perdidas em existências superfluas.
Seringa a Seringa, Risco a Risco, as forças falham e perdemos o rumo do nosso ser, somos engolidos e afogados neste mar da sociedade.



V
Corpus Finitus...

Sexta-feira, Dezembro 29, 2006

Escárnio de Sociedade

Escárnio de sociedade
Demência em si
Tectos que não abrangem
pessoas sem abrigo.
Pontes que não ligam
estradas sem destino
rios que não correm
para oceanos sem maré.
Um ar que não se respira
Pulmões cheios de nada

Micróbios ancestrais...
Ar infestado de mentes conturbadas,
é uma sociedade doente..
Sem médico,
Sem cura,
sem poeta que a descreva..

Terça-feira, Dezembro 19, 2006

Excertos...

Não me leias a vida como se se tratasse dum livro aberto a todos (Peço-te uma vez mais)...

Quando os teus olhos em mim pousam com esse teu brilho especial, sem nenhum esforço, despes-me de preconceitos, despes-me de mim próprio.

Um olhar teu e eu deixo de me pertencer, sinto-me vaguear entre estas incertezas de mim mesmo.

Face rosada... Sim, a minha, devo corar sempre que me olhas. Devo e deverei sempre fazê-lo...

Lês o meu ser como nunca ninguém se atreveu a ler! E entre sentimentos ocultos e sangue a fluir, os meus olhos escapam dos teus...

Permite-me que o faça por breves momentos, sim só por breves momentos só o tempo de eu sentir Saudades do teu olhar e isso demora só uns breves instantes, talvez até menos.

Embaraça-me que me leias assim de forma tão natural, mas gosto... Gosto que me faças corar, gosto que me faças viver.

Quarta-feira, Dezembro 13, 2006

Memórias Esquecidas

A sombra que a ninguém corresponde,
a presença de algo que não está..

dou contigo de tesoura na mão,
a tentar cortar os laços que te une a qualquer coisa..
digo-te apenas que provavelmente
há muito que essa corda
esticou e rebentou..Definitivamente.

reparo agora que deixas-te de olhar
de sentir e mesmo de viver,
vejo eu então
que se houve coisa perfeita,
foi a tua imperfeição em fazer por viver.

Nem um som..Só um!

Pegas agora na tesoura e tentas cortar
em ti as memórias do teu passado,
mas é tarde.. tarde demais.
Essas memórias esquecidas,
assombram-te.
Perdes por completo a noção de..Ti!

Quarta-feira, Novembro 22, 2006

Life Wasted

You're always saying that there's something wrong...
I'm starting to believe it's your plan all along...

Death came around, forced to hear its song...
And know tomorrow can't be depended on.

I seen the home inside your head,...
All locked doors and unmade beds.
Open sores unattended
Let me say just once that

I have faced it,... A life wasted,...
I'm never going back again.

I escaped it,... A life wasted,...
I'm never going back again.

Having tasted,... A life wasted,...
I'm never going back again.

The world awaits just up the stairs
Leave the pain for someone else.

Nothing back there for you to find,...
Or was it you, you left behind?

You're always saying you're too weak to be strong...
You're harder on yourself than just about anyone.

Why swim the channel just to get this far?
Halfway there, why would you turn around?

Darkness comes in waves,... tell me,why invite it to stay?

You're warm with negativity,
Yes, comfort is an energy,...
But why let the sad song play?

I have faced it,... A life wasted,...
I'm never going back again.

I escaped it,... A life wasted,...
I'm never going back again.

Having tasted,... A life wasted,...
I'm never going back again.

Oh I erased it,... A life wasted,...
I'm never going back again.

Pearl Jam

Wasted Reprise

I have faced it, a life wasted
I'm never going back again.


Having tasted, a life wasted
I'm never going back again.


I escaped it, a life wasted
I'm never going back again.


Pearl Jam

Sábado, Novembro 11, 2006

Lágrimas

De Lágrima em lágrima
sem pousar tu vais voando
com o corpo inerte de chão a chão
sem parar te vais evitando

No teu rio lágrimas
sentes-te só e a tua alma treme
sem sentido de horizonte
navegas tu sem nenhum leme

sem dares por isso da noite veio o dia
do reflexo das tuas lágrimas pelo teu rosto
rapidamente a tristeza torturou a alegria

essas lágrimas que jorram sem abrandar
essas lágrimas que magoam sem sentido
nascem nos teus olhos que gritam sem parar.

Terça-feira, Novembro 07, 2006

Doce Pecado

Doce pecado esse
que te chama por entre labaredas sem cor,
Percorres esse incêndio de sangue
e tormentos de dor.
O teu incêndio que o teu pecado ateou,
fogo esse que te consome cada vez com mais força.

Queima-te.

Esse fogo sem cor arde em ti,
a chama invisível percorre todo o teu corpo,
queima-te tudo o que tu és ou poderias ser,
esse doce pecado que tanto cobiçaste,
fez de ti mártir duma causa que agora sabes..
Não ser a tua.

Esse doce pecado que tanto lamentas..
Reduziu-te a cinzas..Incendiou-te a alma.

És agora..
Mártir da luta que lutaste,
mesmo não sendo a tua.
Vítima da vida que não viveste,
por não a considerares tua.

Quarta-feira, Outubro 25, 2006

Esqueletos

O corpo deixado ao acaso,
alguém que a sorte traiu.
O sangue em ti já não corre
pela vida que ja viveu.
Cada gota do teu sangue caiu,
gota a gota...desapareceu.

Conta-as(fazes-me esse favor?),
e quando chegar a ultima,
deixas-me ter o prazer de ser eu a tirar-ta?

Apenas quero que sejas o meu esqueleto no armário,
como tantos outros que tu tens no teu..

Terça-feira, Outubro 17, 2006

Escolhas sem rumo

Caminhas entre a multidão,
percorres esses ténues caminhos
e cada gota do teu sangue treme
enquanto enfrentas esses rostos sem cara,
caminhos ao acaso, escolhas sem rumo.
Aceleras o teu passo,
não interessa o destino,

Foges!

Foges nem tu sabes do quê,
interessa-te fugir,
porque pra ti só viverás,
enquanto fugires..
se parares,
se deixares de fugir,
a multidão irá engolir-te,
e gritarás...
mas o silêncio cortante
da multidão irá abafar o teu grito,
irás sentir o chão abater-se,
e perdes o sentido de tudo,
e da vida..

Não é bizarro?
Num dia evitas tudo,
para no outro não teres nada..
Algum dia irás parar para pensar
Que podes lutar pela vida e viver sem fugir?